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CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE FLORIANÓPOLIS

Direito no papel, cerco na prática!

Comunidade Vidal Martins denuncia intimidação política e uso indevido de órgãos ambientais para impedir posse de território quilombola em Florianópolis.

A Comunidade Quilombola Vidal Martins é oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro e teve seu direito territorial assegurado por sentença judicial federal de 12 de novembro de 2025, posteriormente confirmada em segunda instância, mantendo-se integralmente o direito ao uso, gozo e fruição do território tradicional, com alterações apenas quanto ao prazo de titulação e à multa. Não há decisão judicial que suspenda ou restrinja esse direito.

Após essa decisão judicial — que determinou o avanço do processo de titulação — passaram a ocorrer fatos que levantam questionamentos legítimos quanto às motivações e à coordenação de determinadas ações dirigidas contra a comunidade. Em especial, observa-se resistência à retirada de espécies exóticas invasoras (Pinus) e à efetiva restauração ambiental do território, apesar de tais medidas serem legalmente permitidas, ambientalmente recomendadas e previstas em legislação municipal.

A comunidade, agindo de forma preventiva e responsável, protocolou Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD junto ao IBAMA), órgão federal competente para atuação em territórios quilombolas reconhecidos. Ainda assim, foi surpreendida por um embargo imposto pela Polícia Militar Ambiental, realizado sem ordem judicial, desconsiderando a sentença vigente, o PRAD protocolado e o direito à consulta prévia. Esse embargo constitui o ponto central da controvérsia, pois produziu efeitos concretos de restrição indevida ao direito territorial, gerando insegurança jurídica e criminalização da comunidade.

Diante da sucessão de acontecimentos, surgem indícios que merecem apuração de que possa estar em curso um movimento articulado, possivelmente envolvendo servidores públicos, parlamentares e outros atores, que teriam atuado de forma coordenada para intimidar, pressionar e deslegitimar a Comunidade Quilombola Vidal Martins, especialmente após a decisão judicial favorável à titulação. Ressalte-se que tais elementos são aqui apresentados como indícios e questionamentos, e não como afirmações conclusivas, justamente por demandarem investigação adequada pelos órgãos competentes.

Nesse contexto, agrava-se o fato de que lideranças quilombolas, em especial Helena Jucélia Vidal de Oliveira, Presidenta da Associação dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins, vêm relatando ameaças e intimidações reiteradas, relacionadas à sua atuação na defesa do território e no cumprimento da decisão judicial. Essas situações foram formalmente comunicadas ao Ministério Público Federal, à Defensoria Pública da União e ao Ministério da Igualdade Racial, o que reforça a necessidade de atenção institucional e proteção.

Em síntese, os fatos indicam que não se trata de crime ambiental, mas de uma possível violação continuada de direitos quilombolas, marcada por um embargo administrativo de legalidade questionável, por resistências à efetivação da sentença judicial e por um ambiente de hostilidade e pressão contra a comunidade e suas lideranças, cujas origens e articulações precisam ser devidamente esclarecidas.

Defender o território quilombola é defender a Constituição, o meio ambiente e a democracia. Ameaçar ou intimidar lideranças quilombolas fragiliza o Estado de Direito. À população de Florianópolis cabe conhecer os fatos, exercer vigilância cidadã e exigir que a lei, as decisões judiciais e os direitos fundamentais sejam respeitados.

Florianópolis, 09 de fevereiro de 2026.

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